Diante dos diversos ataques a escolas ocorridos no Brasil e no Espírito Santo nos últimos tempos, faz-se necessária a discussão de ações para garantir a segurança de crianças e jovens nas escolas – ambiente de paz e de construção do conhecimento – e levantar a reflexão acerca dos rumos que a nossa sociedade vem seguindo.
Por isso, na noite dessa quarta-feira (19/04), foi realizada audiência pública com o tema “Desafios da Segurança Pública nas Escolas do município de Linhares”, promovida pelo presidente da Câmara Municipal de Linhares, vereador Vicentini, que reuniu autoridades municipais e estaduais para debater ações efetivas sobre o tema.
O deputado estadual Lucas Scaramussa iniciou o debate utilizando a tribuna livre para levar a informação da construção do Plano de Segurança Pública do Governo Estadual que será apresentado na próxima quinta-feira, dia 27/04. “Com o plano, podemos trazer respostas para as demandas de segurança nas escolas do nosso Estado. E reforço que é preciso mudar o nosso comportamento nas redes sociais para combater a violência”, disse.
O presidente da Casa citou o Projeto de Lei de sua autoria “Amigos da Escola”, cuja proposta é incentivar parcerias de pessoas físicas e jurídicas com escolas públicas municipais com contribuições voluntárias para melhoria do ensino. “Inclusive, é possível que haja doação para contratação de guardas particulares para as escolas”, apontou.
O secretário municipal de Segurança Pública Coronel Jones reforçou a atuação da Guarda Municipal nas escolas e salientou que uma das ações da secretaria é criar um grupo no WhatsApp com representantes da Guarda e diretores escolares para que haja uma intervenção imediata no local acionado.
Também utilizou a tribuna o advogado do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Linhares (SISPML) Victor Belizário que apresentou o ponto de vista dos servidores profissionais da Educação que estão com medo de ir trabalhar. Ele apontou algumas ações que podem ser realizadas para melhorar a situação de pânico em que se encontram, como reforçar o videomonitoramento, os professores terem acesso à chave das salas de aula caso aconteça algum ataque e proteger os alunos dentro da sala, e haver treinamento para servidores e alunos para saber agir em situações semelhantes.
Os vereadores Roninho, Alysson Reis e Juninho Buguiu reiteraram a importância da Guarda Municipal na atuação nas escolas e se mostraram solidários ao sentimento de angústia apresentado pela população diante da ineficiência do Executivo em realizar os pedidos feitos de melhoria das condições de vida da população linharense.
Reflexão da atuação da sociedade
Já o delegado da Polícia Civil Fabrício Lucindo levou a discussão para outro direcionamento, levantando a reflexão sobre a disseminação de fake News que gera mais pânico nas pessoas e prejudica a atuação da polícia. “Estamos absortos pelo medo”, destacou. “Precisamos diferenciar um ataque a escolas de mensagens falsas enviadas por aplicativo. Uma coisa é um psicopata que planeja um ataque e o faz; outra coisa é um canalha que usa isso para causar medo na população”, explicou.
O psicólogo Célio Araújo levantou a reflexão sobre o papel da Escola em nossa sociedade, que tem um papel socializador, e também sobre a violência para além da criminalidade, que segundo a teoria apresentada reduz a outra pessoa. Na sociedade individualizada em que vivemos e reforçada pela era digital, nos distanciamos cada vez mais do próximo. “Talvez devemos dar mais importância em estar presente de fato, conversando e ouvindo o outro para que haja uma melhora efetiva”, concluiu.
Seguindo nessa linha, o diretor da escola Ouse Junior Nicolai reforçou o papel da família no processo de convívio, atenção e cuidado com as crianças. “É muito importante que os pais conversem com seus filhos, saibam como estão vivendo, o que estão usando no celular e internet e como estão seu convívio na escola. Porque hoje a escola está exercendo um papel duplo de educar as crianças”, salientou. Ele também lembrou sobre o bullying que é o principal fator dos casos de violência na escola que tem papel fundamental de promover conhecimento e olhar crítico.
Na atenção às crianças e aos jovens, os representantes do Conselho Tutelar Welber Reis e Roni Preato apontaram sobre a atenção à primeira infância no município de Linhares que está deficiente, assim como as condições de vida de grande parte da população que não tem o que comer, vestir ou onde morar. “Isso reflete na conduta de várias crianças e jovens no ambiente escolar”, disseram. Por isso, indicaram que no próximo orçamento sejam prioritárias ações nesse seguimento.
Nesse sentido também foi a contribuição da Defensora Pública da Infância e Juventude de Linhares Manoela Fanni que disse que a Defensoria recebeu 900 crianças diagnosticadas com autismo em Linhares desde a pandemia e que o município não tem atendimento adequado nas escolas para todas elas. “Assim, também acho válido que o orçamento seja direcionado a melhorias no atendimento das crianças, com monitores nas escolas e mais agentes de saúde, porque a nossa ação é na prevenção e não na repressão”, declarou.
A professora Danieli Ravani utilizou a tribuna livre para representar as mães e pais de alunos que estão com medo de deixar seus filhos irem à escola diante dos fatos ocorridos e ameaças espalhadas pelas redes sociais. “Nós não queremos promessas e palavras ao vento, nós queremos e precisamos de ações. Nossas crianças precisam de segurança, das equipes multidisciplinares e melhoria no sistema de segurança nas escolas”, alertou.






